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Esta é uma questão que gera muitas dúvidas e preocupações nas pacientes que buscam a cirurgia de aumento de mamas. O grande motivo desta preocupação deve-se a teoria de que as próteses poderiam dificultar um diagnóstico precoce de câncer de mama através da mamografia e, consequentemente, piorar o seu prognóstico.

Para ajudar a esclarecer esta dúvida, podemos citar um estudo realizado nos Estados Unidos e publicado no mês de Junho deste ano (2017) na Revista Plastic and Reconstructive Surgery (uma das revistas médicas mais conceituadas da Cirurgia Plástica Mundial), onde foi avaliado o impacto da cirurgia de prótese mamária no diagnóstico e tratamento do câncer de mama em mulheres que foram diagnosticadas e tratadas com esta doença. Para isso, dois grupos de mulheres que tiveram câncer de mama foram comparados, sendo um deles de pacientes com prótese de mama e outro sem. Os autores encontraram que as pacientes com prótese de mama não apresentaram atraso no diagnóstico de câncer em comparação com as pacientes sem prótese; da mesma forma, as pacientes com prótese não apresentaram câncer em estágio mais avançado no momento do diagnóstico comparado com o outro grupo de pacientes (sem prótese). Estes dados, apresentados acima de forma resumida, possibilitaram o desenvolvimento de algumas conclusões. Entre as principais, temos que a presença de implante nas mamas não comprometeu o diagnóstico de câncer, assim como não fez com que o diagnóstico ocorresse em momento mais tardio. Por este motivo, quando as pacientes com próteses nas mamas foram diagnosticadas com este tipo de tumor, seu grau de evolução (Estágio do câncer) foi o mesmo das pacientes sem próteses. Este é um conceito que já foi avaliado em diversos estudos menores anteriores, com resultados semelhantes a este novo estudo.
O fato de possuir implantes mamários, não impede as pacientes de realizarem o exame de rastreamento para câncer de mama, ou seja, a mamografia. Naturalmente, a presença das próteses faz com que sejam necessárias algumas manobras de posição das mamas no momento do exame para impedir que o implante dificulte a visualização da glândula. Em casos de imagens duvidosas, outros métodos, como a Ressonância Magnética, podem complementar a investigação, acrescentando informações importantes em situações específicas.

Por fim, devemos sempre lembrar que o principal aspecto para um diagnóstico precoce de câncer de mama é o comportamento ativo das pacientes, consultando regularmente seu ginecologista/mastologista, assim como seu Cirurgião Plástico. Dessa forma, qualquer alteração pode ser investigada da forma mais adequada e no momento oportuno, buscando não só o controle regular da viabilidade dos implantes como, principalmente, a saúde das mamas.

Dr. Lourenço Senandes (CREMERS 33773 / RQE 28844)

Cirurgião Plástico Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica

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